A Visão dos Vencedores 18 – 4 Qualificações para entrar no reino

                 Deixamos claro que o reino é o tempo em que Deus recompensará os cristãos conforme as suas obras. No reino, os crentes fiéis serão recompensados, e os infiéis serão punidos.

                 Muitas pessoas pensam que se um cristão for infiel, mesmo que possa ter de ocupar uma posição inferior, ele, contudo, o fará dentro do reino. Muitos que não compreendem a Palavra de Deus e a obra de Deus, pensam que lhes está garantida uma entrada no reino dos céus.

                Eles pensam que, quando o Senhor Jesus vier para reinar, haverá simplesmente uma distinção entre as mais altas e as mais baixas posições no reino; que ninguém perderá totalmente o reino dos céus. Entretanto, no reino dos céus, haverá não somente distinção entre as posições mais altas e mais baixas, como também distinção entre ser permitido entrar e ser deixado de fora.

                 A Bíblia mostra‑nos que há uma nítida diferença entre dez cidades e cinco cidades, entre uma coroa grande e urna pequena, e entre uma glória maior e uma menor. Como uma estrela difere de outra, assim também são diferentes as posições no reino. Não somente há diferença entre as mais baixas e as mais altas posições no reino; há também a distinção de estar apto ou não para entrar.

 

1) Fazer a vontade do Pai

                 A Bíblia revela‑nos uma verdade muito séria. Apesar de uma pessoa ter a vida eterna, ela ainda pode ser rejeitada no reino dos céus. Um versículo que fala disso é Mateus 7:21:

 “Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! Entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.”

                Nesse versículo, todas as pessoas referem‑se ao Senhor como “Senhor”. O Senhor fará uma distinção entre os discípulos que podem entrar no reino dos céus e os que não podem. O Senhor mostra‑nos claramente, aqui, que a condição para entrar no reino dos céus é fazer a vontade de Deus. Embora alguns tenham sido salvos e tenham‑no chama­do de Senhor, e embora tenham realizado algumas obras, todavia, sem fazer a vontade de Deus, não podem entrar no reino dos céus. Se alguém não for fiel enquanto viver na terra, embora não vá perder a vida eterna perderá o reino dos céus. Quando chegar o tempo de os céus reinarem, isto é, quando o Senhor Jesus vier pela segunda vez, alguns não estarão aptos a entrar no reino, mas virão a perdê‑lo.

               Primeiramente o Senhor mencionou esse assunto no versículo 21. A seguir, nos versículos 22 e 23, Ele explicou‑nos a questão em forma de profecia. Haverá muitos, não somente um ou dois, que não farão a vontade de Deus.

“Muitos, naquele dia hão de dizer‑me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? Então Ihes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade. ”

                Aqui o Senhor Jesus nos diz o que ocorrerá diante do trono de julgamento. Ele diz: “Naquele dia”. Portanto, isso não se refere a hoje, mas ao futuro. Há muitos que labutam, mas não vêem a luz de Deus em suas vidas. Quando o tempo do trono do julgamento vier, e quando Cristo começar a julgar a partir da casa de Deus, esses cristãos terão luz pela primeira vez. Eles verão que estão errados na sua posição e no seu viver.

                 Naquele dia muitos dirão perante o Senhor:

“Não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?”

                 Dentro de uma só frase, a expressão “em teu nome” é mencionada três vezes. Isso prova que estas pessoas são do Senhor. O fato de dizerem: “Senhor, Senhor”, prova que a posição delas é a de um cristão. Elas não somente dizem que profetizam, expelem demô­nios e fazem milagres; elas fazem isso no nome do Senhor. A menção de “em teu nome” por três vezes, mostra‑nos o relacionamento delas com o Senhor.

                 Surpreendentemente, o Senhor lhes diz: “ Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci.” Muitos acham que tais pessoas certamente não são salvas. Mas se elas não fossem salvas, então a palavra do Senhor aqui não teria significado. Mateus 7 é a conclusão do sermão no monte, dando seqüência à palavra do Senhor acerca das bem‑aventuranças. Essas palavras no monte foram ditas pelo Senhor Jesus aos discípulos. Após o Senhor ter subido na montanha, Seus discípulos seguiram‑No, e a partir do capitulo 5 até o capitulo 7, Ele abriu a boca e passou a ensiná‑los.

                 O Senhor Jesus disse que eles não deveriam chamá-Lo de Senhor apenas com a boca. Se eles O chamavam de Senhor, deveriam fazer a vontade do Pai. Mesmo que tivessem as obras exteriores de profetizar, expelir demô­nios e fazer milagres, essas obras não deveriam substituir a vontade do Pai. Fazer a vontade do Pai é uma coisa, enquanto profetizar, expelir demônios e fazer milagres são coisas totalmente diferentes. Algumas vezes, pode-se profetizar, expelir demônios e fazer milagres sem fazer a vontade do Pai. Devemos lembrar‑nos não somente de chamá‑Lo de Senhor com nossa boca, mas também de fazer a vontade do Pai em nosso andar. Se o Senhor estivesse falando acerca de pessoas não‑salvas, essa palavra perderia totalmente o significado, pois se essas pessoas fossem não‑salvas, não importaria muito para os discípulos ouvirem ou não a Sua palavra.

                 O Senhor Jesus, aqui, deve estar advertindo os salvos, falando sobre salvos. Ele não pode estar advertin­do os salvos, falando sobre não‑salvos. Suponha que uma pessoa tenha uma criada e duas filhas, e suponha que essa pessoa dissesse para a filha mais jovem: “Você está vendo essa criada? Ela não nasceu de mim; estou despedindo ela. Você deve ser obediente hoje. Se não for obediente, farei com você assim como estou fazendo com ela.” Essa palavra é coerente? Uma criada não nasceu na família. Se ela for desobediente, pode ser demitida. Mas a filha da família não é uma criada. Não se pode aplicar a uma filha a maneira de tratar uma criada. A mãe deveria dizer: “Na noite anterior castiguei sua irmã, pois ela foi desobediente. Agora, se cuide. Se você não for obediente, vou castigá‑la da mesma forma.” A mãe deve tomar a irmã como um exemplo. Uma criada não pode ser usada para comparação. Não existe motivo para o Senhor usar os não‑salvos como exemplo para mostrar aos discípulos que eles precisam fazer a vontade de Deus. Se Ele fizesse isso, os discípulos poderiam levantar‑se e dizer: “Eles são os não‑salvos, mas nós somos os salvos.” Se dissessem isso, ninguém poderia dizer mais nada.

                  O que o Senhor Jesus está dizendo é isto: “Muitas pessoas são filhos de Deus. Elas são salvas e são como você é. Elas chamam‑Me de ‘Senhor’ e têm realizado muitas obras. Mas, apesar disso, elas estão excluídas do reino. Por essa razão você deve ser cuidadoso. Você deve fazer a vontade de Deus.” Somente dessa maneira os discípulos saberão que, embora realizem muitas obras, se não fizerem a vontade de Deus, receberão a mesma punição. O Senhor estava advertindo-nos de que somente os que fazem a vontade de Deus podem entrar no reino. Se alguém confiar em sua própria obra para se achegar diante de Deus, o Senhor Jesus Ihe dirá: “Não conheço você.”

                   Permitam que eu Ihes dê outro exemplo. Suponham que o filho de um juiz dirija descuidadamente e bata em outro carro. Ele é levado pela policia até a corte para uma audiência. O juiz pergunta: “Jovem, qual é o seu nome? Quantos anos tem? Onde você mora?” Abatido, no tribunal, o filho pode pensar: “Você deve saber todas essas coisas melhor do que eu.” Ele pode responder às poucas perguntas iniciais. Mas depois de algum tempo pode gritar ao pai: “Pai, você não me conhece?” Então, que deveria o juiz fazer? Ele poderia bater seu martelo e dizer: “Eu não o conheço. Em minha casa, eu o conheço. Mas, na corte, nunca o conheci. “ Se alguém vir a questão do reino, perceberá que no reino a questão não é se uma pessoa é salva ou não nem se é um filho de Deus ou não; o que realmente conta é a sua obra depois de tornar‑se um crente.

                   Por que o Senhor disse: “Nunca vos conheci”? A próxima sentença explica: “Apartai‑vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” Por favor, lembrem‑se de que o Senhor não lhes disse para apartarem‑se da vida eterna. No original grego o significado de “os que praticais a iniqüidade” é de pessoas que não seguem regras, não guardam a lei, ou não aceitam regulamentos. Aos olhos de Deus, fazer o mal não significa apenas fazer coisas más. Não importa quanto uma pessoa tenha feito; uma vez que ela não tenha prestado atenção à exigência de Deus, ao Seu julgamento, e ao Seu arranjo soberano, isso é maligno aos olhos de Deus. O problema aqui não é de se fazer o mal, mas de não ter princípios. Que são os princípios? Os princípios são a palavra de Deus. Mas que é a palavra de Deus? A palavra de Deus é a vontade de Deus. Se você não estiver fazendo a vontade de Deus, não importa o que faça, o Senhor Jesus dirá que você é iníquo. Os que fazem as coisas segundo seu próprio ego não terão parte no reino dos céus.

                  Meu propósito ao dizer essas coisas é mostrar‑lhes a importância das obras de um cristão. A Bíblia mostra‑nos claramente que uma pessoa, após crer no Senhor, embora nunca vá perder a vida eterna, ela pode perder seu lugar e glória no reino. Se não fizermos a vontade de Deus, mas, em vez disso, fizermos obras de acordo com nossa própria vontade, seremos excluídos do reino. Nada po­de substituir a vontade de Deus. Todos os que nunca aprenderam a não trabalhar para Deus, não são dignos de trabalhar para Ele. Aqueles que não sabem como parar a sua própria obra, certamente nada sabem sobre a vontade de Deus. Somente aqueles que conhecem a vontade de Deus conseguem parar de trabalhar. Deus quer que primeiro obedeçamos à Sua vontade e, depois, que trabalhemos. Existe uma grande diferença entre trabalhar e fazer a vontade de Deus.

 

2) Esmurrar o corpo para agradar ao Senhor

                   Outra passagem que alguns interpretam mal, como se referisse à perdição, na verdade, refere‑se também à perda do reino e à perda da recompensa. A Primeira Epístola aos Corintios 9:23‑27 diz:

 “Tudo faço por causa do evangelho, com o fim de me tornar cooperador com ele. Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível. Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar. Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravi­dão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado.”

                    Paulo temia que, tendo pregado a outros, ele mesmo fosse reprovado. Aqui, Paulo estava dizendo que ele também poderia ser repro­vado. Qual é, aqui, o significado de ser reprovado? E em que se está sendo reprovado?

                    No versículo 24, Paulo se compara a alguém que está participando de uma corrida, na qual somente um levará o prêmio. Portanto, o problema aqui não é uma questão de salvação, mas de receber o prêmio. Paulo está falando sobre como uma pessoa salva pode receber o prêmio; ele não está falando de como alguém não‑salvo pode ser salvo. Somente os filhos de Deus podem participar da corrida e perseguir o prêmio que Ele deseja que ganhemos. Se alguém não é filho de Deus, não está sequer qualificado para entrar na corrida. Em nenhum lugar na Bíblia é dito que a salvação é ganha por corrermos a carreira. A Bíblia nunca diz que se alguém for capaz de correr, então será salvo. Se assim fosse, poucos seriam salvos, e a salvação dependeria de obras. A Bíblia diz que o prêmio vem pelo correr; Deus colocou‑nos em uma pista de corrida de modo a corrermos a carreira.

                  Qual é o prêmio? O versículo 25 diz: “Todo atleta em tudo se domina; aqueles para alcançar uma coroa corruptível; nós, porém, a incorruptível.” Aqui é dito que o prêmio é uma coroa. Já mencionamos antes que a coroa representa a glória e o reino. Portanto, a palavra “desqualificado” não se refere à perda da salvação. A palavra “desqualificado”, no versículo 27, significa fra­cassar em receber a coroa e o prêmio. Se Paulo podia ser desqualificado, então todos nós temos possibilidade de o ser. Se Paulo podia perder seu prêmio e sua coroa, então cada um de nós também tem a possibilidade de perder o prêmio e a coroa.

                  O versículo 26 indica o motivo de ser desqualificado:

 “Assim corro também eu, não sem meta; assim luto, não como desferindo golpes no ar.”

                  Paulo tinha um propó­sito e uma direção. Ele não desferia golpes no ar. O seu alvo e direção era aquilo que ele disse em 2 Corintios 5: que ele anelava ser agradável ao Senhor (v. 9). Quer vivesse ou morresse nesta terra, o seu desejo era agradar ao Senhor. Como ele correu a carreira? Ele não a correu desleixadamente. Ele tinha uma direção certa e um alvo definido. Ele não desferia golpes no ar. Ele não fazia simplesmente o que outros diziam que fizese. Tampouco fazia alpo anenas porque a necessidade estava presente.  Nós não somos para a obra, mas para agradar ao Senhor.

                   Se quisermos receber o prêmio, que devemos fazer? “Mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à escravidão” (v. 27). Muitos estimam seu próprio corpo acima do prê­mio. Entretanto, Paulo disse que dominava seu corpo; ele era capaz de controlá‑lo. Paulo podia controlar a concupiscência de seu corpo, as exigências excessivas de seu corpo, e os desejos de seu corpo. Ele não permitia que seu corpo prevalecesse. Ele disse que esmurrava seu corpo e fazia dele seu escravo. Se um cristão pode ou não agradar ao Senhor, depende se ele pode ou não controlar seu corpo. Devemos ver que todos os que não podem controlar seu próprio corpo perderão seu prêmio e sua coroa. Embora possam pregar o evangelho a outros, eles mesmos serão desqualificados.

                 Nós, cristãos, somos salvos de uma vez por todas e jamais perderemos nossa salvação. Mas quando o Se­nhor Jesus voltar na Sua glória para governar a terra, Ele não dará coroas para todos. Alguns não estarão aptos para entrar no reino e não estarão aptos para receber uma coroa.

                 A palavra do Senhor é muito clara acerca da salvação e da vida eterna: ambas são totalmente provenientes da graça. Além do mais, se alguém pode ou não entrar no reino dos céus, depende de suas obras. Acabamos de ver que temos de fazer a vontade de Deus. Aqui vemos que é necessário esmurrar nosso próprio corpo. Podemos realizar muitas obras exteriormente, mas enquanto não restringirmos nosso corpo, não nos será permitido entrar no reino.

                 Na Bíblia parece haver um número fixo de coroas. Apocalipse 3:11 diz:

 “Venho logo. Segura com firmeza o que tens, para que ninguém tome a tua coroa” (BJ).

                 Alguns que não compreendem a Bíblia, não sabem qual a diferença entre uma recompensa e um dom. Tampouco sabem a diferença entre a coroa e a salvação de Deus. Eles acham que a salvação pode ser tirada deles. A palavra “tome”, aqui, não se refere à salvação, mas à coroa. Alguém pode estar salvo e, no entanto, perder a coroa. Se você for frouxo, e não segurar com firmeza, perderá sua coroa. Alguma outra pessoa poderá tirá‑la de você.

                  Apocalipse 2:10 tem uma palavra semelhante a essa:

“ Sê fiel até à morte, e dar‑te‑ei a coroa da vida.”

                  Aqui não diz dar a vida, mas dar a coroa da vida. A vida é obtida pela fé; ela não é obtida pela fidelidade. Se uma pessoa não tiver fé, ela não poderá ter vida. Mas se uma pessoa for infiel depois de ter vida, ela perderá a coroa da vida. Portanto, se um cristão não tiver boas obras após ser salvo, embora não vá perder a vida, ele, contudo, perderá a coroa.

 

3. Combater o combate e guardar a fé

                    Essa questão do prêmio implica em ter uma meta, implica em participar de uma corrida mas implica em correr de acordo com as normas.

“Combati o bom combate, completei a carreira, guardei a fé. Já agora a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, reto juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos quantos amam a sua vinda. II Tm 4.7-8”

                    Ser um vencedor é uma questão de combater. Há uma guerra a ser travada. Não há vitória sem guerra. Existe a  guerra contra a carne, contra o ego, contra o mundo, contra o diabo, contra as circunstâncias.

                   Paulo também diz:  “completei a carreira”. Isto se refere à ilustração de I Cor 9. A carreira é a corrida. Só vai receber o prêmio quem terminar a carreira.

                   A carreira é a transformação da nossa alma. No passado o nosso espírito foi regenerado mas agora a obra de Deus em nós é transformar a nossa alma pela nossa santificação. Completar a carreira é completar essa obra em sua alma.

                   Paulo inda diz “guardei a fé”. A única batalha para o qual somos chamados é a batalha da fé.  Ganhar a coroa da justiça, não é coroa da vida, nem da graça.

Por fim Paulo diz que vencedor é aquele que ama a vinda do Senhor.

 

4) Edificar com ouro, prata e pedras preciosas

                  A passagem mais clara na Bíblia acerca da recom­pensa é 1 Corintios 3 14‑15:

 “Se permanecer a obra de alguém que sobre o fundamento edificou, esse receberá galardão; se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele dano; mas esse mesmo será salvo”.

                  Isso nos mostra claramente o que um cristão não pode perder e o que ele pode perder. Uma vez que uma pessoa seja salva, certamente está salva para sempre. Contudo, se tal pessoa receberá ou não um galardão, não pode ser decidido hoje.

                   A salvação eterna de um cristão já está determinada. Mas a recompensa futura é uma questão ainda pendente. Ela é decidida pela maneira como alguém edifica sobre o fundamento do Senhor Jesus. A nossa salvação independe de como edificamos. Ela depende apenas de como o Senhor edifica. Se a Sua obra é perfeita, certamente estamos salvos. Entretanto, se receberemos ou não a recompensa, ou se sofreremos perda, depende da nossa própria obra de edificação. Se alguém edifica com ouro, prata e pedras preciosas, coisas com valor eterno, sobre o fundamento do Senhor Jesus, este certamente receberá um galardão. Contudo, se ele edifica com madeira, feno e palha, não receberá um galardão diante de Deus. Ele pode ter muito diante do homem, contudo não terá muito diante de Deus. Isso nos mostra que é possível que um homem perca seu galardão e tenha sua obra queimada.

                     Permitam‑me repetir isto: Graças a Deus que a questão da nossa salvação eterna foi decidida há mais de mil e novecentos anos. Quando o Filho de Deus foi levado à cruz, a nossa salvação foi decidida. Mas, se vamos receber ou não a recompensa, depende de como nos conduzimos. A verdade do evangelho é muito equilibrada. A salvação depende totalmente do Senhor Jesus. A concessão da salvação depende totalmente do Senhor Jesus. Entretanto, se alguém pode obter sua recompensa ou não, depende da sua própria obra de edificação. O homem deve crer e também trabalhar. Esse trabalho nao é propriamente dele, mas é aquilo que o Espírito Santo tem trabalhado nele. Aqui vemos que é possível perder nosso galardão. E igualmente possível sermos reprovados para o reino e privados da nossa coroa.

 

Participando da glória de Cristo

Gostaria de saber se vocês alguma vez pensaram no tipo de glória com que Deus recompensará Cristo no milênio, por aquilo que Ele sofreu há dois mil anos. Uma recompensa deve equiparar‑se ao sofrimento. Se um homem for rebaixado à mais inferior posição, sua recompensa deverá ser a maior. Suponha que sua casa pegue fogo ou que você se encontre em sério perigo, e um empregado seu se arrisque e quase perde a vida tentando salvá‑lo. Como você o recompensaria? Você diria: “Eu o recompenso com vinte centavos”? Ninguém faria isso. A recompensa tem de equiparar‑se ao sofrimento. Cristo glorificou a Deus de tal maneira e sofreu tal morte na cruz. Como Deus recompensará Cristo no futuro? E como Ele glorificará Cristo?

O reino será o tempo no qual Cristo e os cristãos receberão a glória juntos. O reino é o tempo no qual Deus recompensará Cristo. Naquele tempo, nós também teremos uma porção. Se vamos ser achados dignos de receber a glória do Senhor, dependerá totalmente do resultado do nosso andar e trabalho pessoais. Não existe a questão de mérito no novo céu e nova terra. Mas no reino, somente os que tiverem mérito receberão a glória. O Senhor sofreu perseguição, dificuldades e humilhação. Se hoje sofrermos perseguição, dificuldades e humi­lhação, da mesma forma, nós partilharemos uma porção com Ele no reino vindouro.

 

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