3 Características do Perfeito Amor

Graça e paz amados leitores, terminamos nossa série sobre a Visão dos Vencedores, e agora voltaremos a compartilhar sobre outros assuntos, e nada melhor do que começar falando de amor.

“[…] se não tiver amor; nada serei” (1Co 13)

O Senhor liberou uma palavra à igreja de Éfeso: “Conheço as tuas obras, tanto o teu labor como a tua perseverança, tens perseverança, e suportaste provas por causa do meu nome, e não te deixaste esmorecer. Tenho, porém, contra ti que abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras; e, se não, venho a ti e moverei do seu lugar o teu candeeiro, caso não te arrependas” (Ap 2.2-5). Éfeso era uma igreja que tinha muitas obras (frutos), mas tinha se esfriado no amor. Nesse texto, temos duas palavras importantes que nos mostram dois aspectos da nossa obra em Deus: “labor” e “amor”. Confira o significado de cada uma delas.

O labor

Labor é o mesmo que trabalho, e Deus é um Deus que trabalha, como a Bíblia menciona: “Porque desde a antiguidade não se ouviu, nem com ouvidos se percebeu, nem com os olhos se viu Deus além de ti, que trabalha para aquele que nele espera” (Is 64.4, grifo nosso). “Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também” (Jo 5.17, grifo nosso). Portanto, trabalho não era o foco da palavra a essa igreja. Deus não ignorou o trabalho da igreja de Éfeso, apenas disse que ela precisa voltar às primeiras obras, que se refere ao primeiro amor.

O amor

“[…] abandonaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta à prática das primeiras obras” (Ap 2. 5-6a). A palavra “primeiro” no original significa proten, que pode ser traduzido como “o melhor”. É como se Deus dissesse a essa igreja: “Vocês têm trabalhado muito, mas têm amado pouco”. Isso prova que, apesar de todo o trabalho da igreja, Deus está interessado em como o realizamos, com ou sem amor, pois “amar o Senhor” implica “amar como Ele ama”.

Como é o coração de quem ama?

1. QUEM AMA NÃO QUER PERDER

        Um dos grandes testes do coração que ama é a perda. Você já lutou por algo que não quer perder? Um exemplo disso são aquelas cenas de filmes que mostram alguém apaixonado correndo para o aeroporto para impedir o outro de partir. Isso expressa superficialmente o desespero de alguém que não quer perder alguém que ama. Mas há algo mais profundo do que isso, o amor de Deus. 

Deus não quer perder aqueles que Ele ama

“Porque o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido” (Mt 18.11).

Identificando-nos com o coração de Deus

Precisamos nos identificar com o coração de Deus. Para discernir o coração de Deus, é preciso avaliar: qual é a nossa atitude diante da perda? Nós sofremos. O coração de Deus sofre pela perda de almas. Um exemplo desse sentimento é o desespero e sofrimento que nos vêm diante da perda de quem amamos. “O amor, tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1Co 13.7). Mas o amor pelas vidas não pode ser apenas um sentimento, esse sofrimento precisa gerar em nós um clamor. Por isso, diante da perda, nós clamamos. 

Quando minha mãe estava no hospital, eu sofria dia e noite. Quando chegava à minha casa, eu clamava. Precisamos nos identificar com o coração de Deus para que um clamor genuíno possa brotar do nosso coração pela salvação de crianças.

Salvação é resultado de clamor

Um exemplo disso é o Projeto Crescer Multiplicar 2014/2015. Esse projeto não foi apenas um trabalho, mas havia um clamor genuíno diante de Deus. E o resultado foi que saímos de 70 para mais de 80 mil crianças no Brasil. A Bíblia diz em 1 Coríntios 13: “[…] se não tiver amor, nada serei”. Precisamos parar e perguntar: por que a maioria dos materiais para crianças, como livros de história e livros didáticos, não trazem a mensagem do novo nascimento? Porque não é fruto de amor, mas apenas de trabalho. Sua liderança não pode ser apenas um trabalho que você realiza na igreja, precisa ser fruto de amor ao Senhor e pelas pessoas que você lidera. Voltar ao primeiro amor é o mesmo que amar com fervor. Fervor fala de amar apaixonadamente.

2. QUEM AMA PAGA O PREÇO QUE FOR PRECISO

“Que vos parece? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará ele nos montes as noventa e nove, indo procurar a que se extraviou?” (Mt 18.11).

Pagar o preço nos fala de fazer o que for necessário

Em Mateus 18, Jesus fala sobre “deixar as noventa e nove”. Este é o coração de quem ama e que está disposto a abrir mão de algo valioso, importante, para buscar algo puramente por amor. Este é o tipo do primeiro amor: algo puro, verdadeiro e que não mede esforços.

O primeiro amor nos fala de amar intensamente

Quando você ama, paga o preço que for preciso para ter perto de você a pessoa que ama. Por isso, na igreja, os discípulos são como filhos. Quando um filho está doente, você fica sem dormir, ora todos os dias, jejua, desgasta-se. Este era o problema da igreja em Éfeso, não havia desgaste pelas pessoas, apenas labor, ou seja, o trabalho em si.

Negligência e egoísmo

Este era o mesmo problema da igreja em Éfeso, a negligência e o egoísmo. O que a Bíblia fala sobre quando o amor se esfria? Jeremias 34.18-21 diz: “Quanto a vós outras, ó ovelhas minhas, assim diz o SENHOR Deus: Eis que julgarei entre ovelhas e ovelhas, entre carneiros e bodes. Acaso, não vos basta a boa pastagem? Haveis de pisar aos pés o resto do vosso pasto? E não vos basta o terdes bebido as águas claras? Haveis de turvar o resto com os pés? Quanto às minhas ovelhas, elas pastam o que haveis pisado com os pés e bebem o que haveis turvado com os pés. Por isso, assim lhes diz o SENHOR Deus: Eis que eu mesmo julgarei entre ovelhas gordas e ovelhas magras. Visto que, com o lado e com o ombro, dais empurrões e, com os chifres, impelis as fracas até as espalhardes fora, eu livrarei as minhas ovelhas, para que já não sirvam de rapina, e julgarei entre ovelhas e ovelhas”.

Quem são as ovelhas gordas?

São aquelas que se servem de coisas boas e negligenciam as outras pessoas. Quando o nosso foco gira em torno de nós mesmos, tornamo-nos ovelhas gordas, fazemos apenas o que gostamos e o que é conveniente. Temos uma grande responsabilidade como igreja: cuidar das ovelhas mais fracas – isso inclui as crianças – para que se alimentem do melhor. Uma igreja que não dá o melhor para o rebanho de crianças não pode expressar o amor de Deus. Por isso, não podemos ser como a igreja de Éfeso, temos de manter o trabalho e ser grandes em amor. Deus não está atrás dos melhores líderes, mas de líderes que amam.

3. QUEM AMA ENTREGA TUDO O QUE TEM

“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3.16).

Amar implica apegar-se a quem você ama

Neste caso, podemos ter como exemplo o filho que se apega à mãe, e vice-versa. Muitas mães ficam com dó de entregar a criança na porta da escola. É natural nos apegarmos a quem amamos. Mas, ainda assim, precisamos aprender a entregar a Deus tudo o que amamos. Como isso acontece? Entrega é resultado de desapegar-se de algo que você gosta em favor de algo maior. Desapegar-se de coisas às vezes é difícil; de pessoas, muito mais. Por isso, a entrega é por amor a Deus.

A entrega de Deus foi uma entrega de amor: “Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho […]” (Jo 3.16). Ele o amou mais do que o próprio Filho. Nosso ministério precisa ser fruto de uma “entrega de amor” a Deus. Nossa vida não pertence mais a nós mesmos. “A minha comida consiste em fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra” (Jo 4.34).

A entrega é para um propósito, em nosso caso, o reino de Deus

Na Revista Exame de janeiro de 2015, foi divulgada a conclusão de uma pesquisa realizada por cientistas da educação (Universidade de Havard): “Para os cientistas, a educação das crianças de 0 a 3 anos transforma o capital humano de um país”. A pesquisa mostra como isso é possível: investindo nessa faixa etária (atenção mais ensino adequado). Isso implica dar às crianças a atenção de que elas precisam e ensino adequado, como ler para elas, por exemplo, pois é nessa fase que se constroem as bases para a linguagem e raciocínio lógico.

Se o governo de uma nação está interessado em investir em crianças de 0 a 3 anos porque isso afeta a nação, a igreja deveria estar muito mais. Portanto, isso se aplica ao ministério com crianças na igreja. Precisamos dar atenção e ensino da Bíblia adequado, pois isso afetará a vida da igreja. Isso não é uma teoria, é o que a Bíblia diz, e agora comprovado cientificamente.

A igreja precisa investir em crianças como prova de amor, mas também porque dá resultado. Essa afirmação é verdadeira: quanto mais você ouve uma frase, mais você acreditará nela, não importa se ela é verdade ou não. Isso significa que, na infância, as crianças precisam ouvir verdades que vão marcar a sua vida, parte delas somos nós que falamos. Se o ímpio acredita que investir em crianças pode afetar uma nação, muito mais nós, a igreja, deveríamos acreditar.

Vamos parafrasear a conclusão desses cientistas: “Nós acreditamos que investir em crianças de 0 a 12 anos pode mudar a vida da igreja e impactar uma geração”. Isso inclui, em nosso ministério, os dois ingredientes que estamos falando: trabalho e amor. O trabalho na igreja é expressão de amor. Se amamos a todos, trabalhamos com todos.

A carta à igreja de Éfeso termina dizendo: “Lembra-te, pois, de onde caíste […]”. Onde foi que a igreja de Éfeso caiu? No trabalhar sem amar. Por que seria diferente em nossos dias? Temos de ter muito cuidado, pois podemos nos acostumar com o trabalho e perder o fervor, como aquela igreja perdeu. O apóstolo Paulo nos adverte em Efésios 5.2: “[…] andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós”.

Hoje, Deus nos chama como igreja para avaliar o nosso amor, não o nosso trabalho a esse rebanho, as crianças, em três aspectos:

Amá-las a ponto de não querer perdê-las

Isso significa investir nossos esforços para servir os mais fracos.

Pagar o preço necessário pela salvação delas

Nossa visão de multiplicação precisa chegar às crianças, pois somos chamados para nos multiplicar nelas, dando-lhes o melhor, não o que sobra.

Entregar-nos ao serviço de cuidar delas

Orar por elas, ensiná-las, treiná-las, tudo isso por amor a Cristo. Somente assim o nosso trabalho será resultado de amor.

Mas a mensagem de Deus a essa igreja e a nós hoje não é apenas uma sugestão, é uma advertência. Pois Ele termina dizendo: “[…] se não removerei o candeeiro”. O candeeiro é a igreja. Isso se cumpriu. Há mais de mil anos, não existe igreja na cidade de Éfeso. Aquela igreja recebeu uma palavra, mas não corrigiu o que estava errado. Mas nós podemos fazer diferente. Precisamos ouvir essa última parte que diz: “[…] volta aonde caíste”. Voltar significa não perder o que já conquistamos em Deus, pois uma promessa nos aguarda: “Ao vencedor, dar-lhe-ei que se alimente da árvore da vida que se encontra no paraíso de Deus” (Ap 2.7).

Pra. Márcia Silva

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